Sidrolândia, 18 de outubro de 2026

“Ainda Estou Aqui” conquista o prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano

Foto: Alile Dara Onawale/Sony Pictures
Foto: Alile Dara Onawale/Sony Pictures

O filme brasileiro Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, conquistou, neste sábado (8), o prêmio Goya 2025 na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano. Essa premiação é considerada a mais importante do cinema espanhol.

É a primeira vez que uma produção brasileira é indicada e vence essa categoria. Na 39ª edição do prêmio, Ainda Estou Aqui competia com outros quatro filmes: El Jockey, da Argentina; Agárrame Fuerte, do Uruguai; No Lugar da Outra, do Chile; e Memorias de un cuerpo que arde, da Costa Rica.

Em uma carta lida durante a cerimônia de recebimento do troféu Goya, o diretor Walter Salles agradeceu, à distância, à Academia de Cinema Espanhol e destacou que esta é a primeira vez que um filme brasileiro é indicado a uma categoria do prêmio Goya.

Ainda Estou Aqui é um filme sobre a memória de uma família, durante a longa noite da ditadura militar no Brasil, que está entrelaçada com a memória do meu país. Gostaria de dedicar esse prêmio ao cinema brasileiro, a Eunice Paiva e toda a sua família, a Fernanda Montenegro e a Fernanda Torres”, disse em carta o diretor Walter Salles.

Em janeiro, a atriz Fernanda Torres já havia sido premiada com o Globo de Ouro, em Los Angeles, como Melhor Atriz na categoria Drama por sua atuação em Ainda Estou Aqui. Esta foi a primeira vez que a premiação foi concedida a uma brasileira.

O filme Ainda Estou Aqui também foi indicado a três categorias no Oscar 2025: Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, e Fernanda Torres foi indicada como Melhor Atriz. A cerimônia do Oscar 2025 ocorrerá em 2 de março, também em Los Angeles.

Filme

O drama brasileiro Ainda Estou Aqui é baseado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, que narra a história de sua mãe, a advogada e ativista pelos direitos humanos Eunice Paiva, durante a ditadura militar no Brasil. O papel de Eunice, falecida em 2018, foi interpretado por Fernanda Torres.

O enredo foca na luta pela democracia, resistência à opressão, a força feminina, a busca por desaparecidos políticos e a importância da memória. A trama é centrada no desaparecimento, em 1971, do ex-deputado federal Rubens Paiva (interpretado por Selton Mello), marido de Eunice. Rubens Paiva, que teve seus direitos políticos cassados após o golpe militar de 1964, foi torturado e assassinado no Rio de Janeiro, e seu corpo jamais foi encontrado.

Em 1996, foi emitido o atestado de óbito de Rubens Paiva. No entanto, em 2025, a certidão de óbito foi corrigida para registrar que sua morte foi causada por agentes do Estado durante a ditadura militar.


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