Sidrolândia, 18 de outubro de 2026

Bolsa Família é usado como garantia para empréstimos ilegais no MS

Foto: Divulgação/Polícia Civil
Foto: Divulgação/Polícia Civil

Uma investigação da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Corumbá revelou que uma organização criminosa utilizava cartões do Bolsa Família e de outros benefícios sociais como garantia para agiotagem. Os juros cobrados chegavam a 30%, dificultando a quitação das dívidas.

A apuração identificou centenas de vítimas que recorreram a esses empréstimos ilegais em diferentes valores. Três agiotas foram identificados — dois homens e uma mulher —, todos atuando no Bairro Dom Bosco, na Capital do Pantanal. Os crimes vinham ocorrendo pelo menos desde 2023.

Após a investigação, a Polícia Civil obteve autorização da Justiça estadual para cumprir três mandados de prisão contra os agiotas envolvidos, além de três mandados de busca e apreensão para coletar provas contra a organização criminosa.

Um homem e uma mulher foram presos em Corumbá, enquanto o outro suspeito foi detido em Campo Grande, com o apoio da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). A polícia não descarta a possibilidade de haver mais envolvidos.

Durante as buscas realizadas nesta segunda-feira, a Polícia Civil reuniu evidências de que os agiotas armazenavam centenas de documentos pessoais das vítimas, além de cartões de benefício social, munições, três veículos e diversas joias.

“O esquema funcionava por meio de empréstimos concedidos às vítimas com juros abusivos de 30% ao mês. Além disso, os suspeitos exigiam garantias, como joias, veículos ou cartões de benefício social acompanhados da senha”, explicou o delegado Elton Sá Junior.

Os policiais apreenderam R$ 437,9 mil em espécie com dois agiotas em Corumbá. O dinheiro estava organizado em maços de notas de R$ 100 e R$ 50, além de valores menores em cédulas de R$ 2, R$ 5, R$ 10 e R$ 20. Também foram encontradas algumas notas de R$ 200.

As quantias estavam escondidas em diversos locais, sendo que bolsas femininas eram utilizadas para armazená-las. O montante apreendido reforça, nesta fase da investigação, a força financeira da organização criminosa.


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