Apesar da superlotação e da falta de insumos, a Santa Casa informou que 57% dos pacientes atendidos nesta segunda-feira (24) precisaram ser internados. Somente ontem, quando o hospital alertou sobre a situação “caótica”, 110 novos pacientes receberam atendimento.
“A Santa Casa segue recebendo pacientes regularmente, conforme suas obrigações contratuais e os acordos vigentes. No entanto, devido à superlotação e à escassez de insumos, que afetam a capacidade operacional do hospital, foi necessário informar oficialmente que, no momento, não é possível admitir novos pacientes”, esclareceu a unidade de saúde.
Entre janeiro e fevereiro, o hospital registrou uma média diária de 112 atendimentos, o que corresponde a aproximadamente quatro pacientes por hora. Nos primeiros 23 dias de março, esse número teve uma leve queda, com uma média de 110 atendimentos por dia. Desses, cerca de 53% – o equivalente a 59 pessoas – precisaram de internação.
Entenda
Nesta segunda-feira (24), a Santa Casa de Campo Grande divulgou um ofício solicitando a suspensão de novos atendimentos devido à superlotação. O Pronto-Socorro, que tem capacidade para 13 leitos, estava acolhendo mais de 80 pacientes, com uma ocupação seis vezes superior à sua capacidade.
O diretor técnico, William Lemos, destacou a grave crise financeira e o desabastecimento de insumos, alertando que a unidade não tem condições de continuar oferecendo atendimento adequado. “O hospital está pedindo socorro”, afirmou.
Após o alerta da Santa Casa, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que todos os hospitais da cidade estão superlotados e sem leitos disponíveis. No entanto, os casos de urgência continuarão sendo direcionados à unidade. O aumento de pacientes politraumatizados e o surto de doenças respiratórias são apontados como as principais causas da atual crise.
A secretária Rosana Leite destacou que as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) registraram um pico significativo na procura por atendimentos relacionados a sintomas respiratórios, com mais de 4 mil pessoas atendidas no domingo (23), quando a média normalmente é de 1,5 mil. Ela acredita que o fim do Carnaval pode ter contribuído para esse aumento no número de casos.
Na manhã desta segunda-feira (24), havia 195 pacientes aguardando leitos, sendo 30 deles vindos do interior. A secretária Rosana Leite destacou que a superlotação está afetando a Santa Casa, o Hospital Adventista do Pênfigo e o Hospital Universitário (HU), e ressaltou a necessidade urgente de expandir os atendimentos especializados no interior para reduzir a sobrecarga nos hospitais de Campo Grande.
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