Sidrolândia, 18 de outubro de 2026

Com altas temperaturas e custo elevado do milho, preço do ovo atinge maior nível em 22 meses no Brasil

Imagem Ilustrativa
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As altas temperaturas, o aumento no preço do milho e a proximidade da Quaresma estão impulsionando a alta no valor dos ovos no Brasil, que atingiram o maior patamar em pelo menos 22 meses.

Aumento no preço dos ovos

Entre janeiro e fevereiro, o preço dos ovos brancos para revendedores subiu 69%, com a caixa de 30 dúzias passando de R$ 134 para R$ 227. Já os ovos vermelhos tiveram um aumento de 61%, saltando de R$ 156, em 17 de janeiro, para R$ 252 um mês depois. A média dos preços foi calculada pelo UOL com base em dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), que acompanha os valores desde abril de 2023 até fevereiro deste ano.

Nos últimos 22 meses, o preço dos ovos nunca atingiu um nível tão alto. A maior cifra registrada para a caixa com 30 dúzias de ovos brancos foi de R$ 203 em junho de 2023, valor 12% inferior ao atual. Já os ovos vermelhos chegaram a custar, em média, R$ 225 em maio do mesmo ano, também 12% mais baratos em comparação ao preço atual.

Desde julho de 2023, o preço da caixa com 30 dúzias de ovos brancos permaneceu abaixo de R$ 200. A mínima ocorreu em setembro do ano passado, quando o valor caiu para R$ 127. No mesmo período, os ovos vermelhos registraram o menor preço da série, sendo vendidos a R$ 143.

“O principal fator que tem impactado nos preços dos ovos é a baixa oferta no mercado interno”.
-Claudia Scarpelin, pesquisadora da Cepea.

Calor intenso e milho caro

Segundo as associações do setor, o calor extremo tem prejudicado a produção de ovos. O Instituto Ovos Brasil (IOB) afirmou em nota que “as altas temperaturas registradas no início do ano afetaram a produtividade das aves, impactando diretamente a oferta e os custos de produção”.

As galinhas, sendo animais de sangue quente com temperatura corporal constante, precisam gastar energia extra para regular a temperatura do corpo quando expostas ao calor. Esse estresse térmico resulta em uma redução de 5% a 10% na produção de ovos, segundo estimativas de Tabatha Lacerda, diretora administrativa do Instituto Ovos Brasil e coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal. Em média, cada galinha bota um ovo por dia.

Para reduzir o estresse térmico nas aves, alguns produtores optam por climatizar suas granjas. Os galpões são resfriados para uma temperatura de cerca de 10ºC, o que ajuda a aumentar a produção de ovos.

O milho, principal componente da alimentação das galinhas, também sofreu um aumento significativo. A dieta das aves é baseada em soja, que fornece proteínas, e milho, que é o carboidrato responsável por fornecer energia. O preço da saca de 60 kg do milho começou a subir em setembro do ano passado, quando ultrapassou a marca de R$ 60, e continuou a aumentar. Neste mês, o valor chegou a R$ 79, um aumento de 32%. O Instituto Ovos Brasil afirma que “a elevação dos custos tornou inevitável o repasse para o consumidor final, o que onera o produtor”.

O retorno às aulas também tem contribuído para o aumento no preço dos ovos. Claudia Scarpelin, pesquisadora da área de ovos do Cepea, explica que “a demanda por ovos tem aumentado gradualmente, impulsionada pelo retorno das aulas, já que o ovo é uma proteína amplamente consumida nas merendas escolares, e pela recuperação do consumo pela população em geral”. Ela acrescenta que “esse desequilíbrio entre oferta e demanda tem resultado na elevação dos preços”.

A proximidade da Quaresma também impacta o preço dos ovos. Claudia Scarpelin afirma que “os preços devem continuar elevados até a Quaresma (5 de março a 17 de abril), período em que, tradicionalmente, o consumo de ovos aumenta”, devido à redução no consumo de carne vermelha antes da Páscoa.

O consumo de ovos no Brasil tem aumentado. Em 2023, a média foi de 242 unidades por pessoa, subindo para 269 em 2024, e com a expectativa de atingir 272 unidades por pessoa em 2025, segundo previsão do instituto.


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