Sidrolândia, 18 de outubro de 2026

Probióticos não devem ser usados sem orientação, entenda os riscos envolvido

Foto: Ilustrativa
Foto: Ilustrativa

Com o aumento da busca por entender a saúde intestinal e suas conexões com o bem-estar geral, o consumo de probióticos e a prescrição desses suplementos cresceram consideravelmente. No entanto, é fundamental estar atento.

Os probióticos são micro-organismos, e sua administração em termos de quantidade, variedade e frequência deve ser cuidadosamente controlada, no entanto, infelizmente, isso nem sempre acontece.

Para cada desconforto intestinal, um probiótico é recomendado. A cada exame de microbiota intestinal, uma lista de probióticos é sugerida. Contudo, os ‘pools de probióticos’, frequentemente manipulados e indicados por pessoas sem especialização no tema, podem levar a uma piora do quadro clínico do paciente.

Os probióticos são micro-organismos (bactérias ou leveduras) consumidos em cápsulas ou pós, e têm diversas aplicações terapêuticas — desde a saúde vaginal e imunológica até a regulação da fome, obesidade, qualidade da pele, tratamentos pós-antibióticos e cuidados com a saúde intestinal. Fabricados em laboratório, eles passam por um processo de produção controlado.

Primeiramente, são selecionadas as cepas que desejamos suplementar. Em seguida, essas cepas são cultivadas em meios de cultura, onde os nutrientes fornecidos são essenciais para o desenvolvimento dos micro-organismos. Após o processo de fermentação, a cultura é separada por centrifugação ou filtração, sendo então desidratada ou liofilizada. Essa produção utiliza as cepas mais estudadas, geralmente pertencentes aos gêneros Lactobacillus, Bifidobacterium e Saccharomyces.

No entanto, diversas outras cepas estão sendo constantemente testadas em uma variedade de condições atualmente reconhecidas, como melhora de intolerâncias alimentares, alergias, respostas imunológicas, apetite, depressão, ansiedade, doenças autoimunes e diabetes. A lista de aplicações é extensa, o que representa um avanço significativo para o desenvolvimento da saúde humana.

Mas qual é o problema da suplementação? Um risco potencial é a contaminação cruzada com patógenos. A suplementação de micro-organismos vivos em pacientes com o sistema imunológico comprometido pode representar um grande perigo à saúde, especialmente em condições como fungemia e bacteremia. Essa reação ocorre quando as bactérias do intestino translocam para a corrente sanguínea e outros órgãos e sistemas. Em pacientes imunossuprimidos, esse é um risco real, e sabemos que a venda de probióticos é livre em farmácias por todo o Brasil.

Outro risco, mesmo que pequeno, é a transferência de genes de resistência a antimicrobianos. A resistência antimicrobiana (RAM) é um desafio sério que a ciência enfrenta hoje. Em todo o mundo, já há um alerta sobre as ‘superbactérias’ que se tornam imunes a todos os medicamentos antimicrobianos e antibióticos, com grandes instituições também emitindo avisos. Essa transferência pode ocorrer quando algumas bactérias probióticas carregam genes de resistência e os transferem para patógenos no intestino, dificultando a resposta imunológica e a eficácia dos tratamentos propostos.

Outro ponto importante a ser destacado é que nem toda cepa probiótica é benéfica para todas as pessoas. O microbioma intestinal é único para cada indivíduo, e o uso indiscriminado de probióticos pode agravar ainda mais um quadro de disbiose intestinal.

Por fim, até mesmo as cepas mais reconhecidas por seus benefícios à saúde humana podem interferir na absorção de nutrientes em alguns pacientes. Por isso, a individualização do tratamento é crucial. Nutrientes como ferro, cálcio e magnésio podem ser afetados de forma significativa pela suplementação inadequada de probióticos, especialmente quando os suplementos são usados em doses elevadas ou com alta frequência.

Isso significa que é totalmente negativo? De forma alguma! Tanto os probióticos quanto os pós-bióticos — uma nova e mais segura abordagem de suplementação — são ferramentas poderosas no tratamento de diversas condições de saúde, mas sempre devem ser usados de forma individualizada e controlada.

Portanto, não utilize suplementos — mesmo sabendo que sua compra e consumo são livres — sem o acompanhamento de um profissional qualificado nessa área. E o mais importante: antes de iniciar o uso de probióticos, conheça seu microbioma intestinal por meio de exames específicos.


Descubra mais sobre David Olindo News

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Veja também